segunda-feira, 7 de julho de 2008

Multidão


Sento –me em um banco qualquer, de um lugar qualquer, em meio a essa multidão na qual me encontro e percebo alguns que gritam suas identidades, alguns que se escondem e outros que pouco se mostram. Pessoas vão e vem acelerados ao passo do dia - a - dia, o sol cansado mostra seus tons vivos porem brandos pelo entardecer. O movimento aumenta e depois volta a abrandar. Adultos descansam e jovens farream, mas no fim do dia enquanto as estrelas nos observam, tanto os que gritam, os que calam quanto os que pouco dizem esperam a mesma coisa, pois todos estão a procura, a procura de serem encontrados.

domingo, 8 de junho de 2008

Noite chuvosa.




Uma noite fria e chuvosa,
uma xícara fumegante,
o cheiro da baunilha se espalhando pelo quarto.
Seu pijama (azul) xadrez,
pantufa,
um livro,
seu mundo de refúgio.
As mãos em volta da xícara,
goles aquecem o corpo,
palavras lidas que alimentam a alma,
aconchego.
E a única coisa que se espera é não mais esperar...

sábado, 19 de abril de 2008

Preço do "amor" eterno

Eles se conheceram na noite, ela uma terna dama dona de olhar como um par de esmeraldas e rubros lábios.Ele um cavalheiro, educado, cortes e misterioso de pele tão clara que pareia quase pálido, cabelos longos e negros como a noite.Ele disse que não sobreviveria sem ela e prometeu – lhe a eternidade, ela inocente aceitou a “eterna” companhia dele.Um beijo selou o pacto, estava tão apaixonada e em êxtase que não sentia a respiração dele, só seu rosto deslizando.Lábios, pescoço, ela sentiu uma leve dor, arrepios e prazer.
Suas pálpebras se abriram lentamente e tudo parecia estar preto e branco, se sentia lânguida, prestes a desmaiar.Então percebeu - como num estalo - que aqueles lábios eram gélidos e só havia uma pulsação, a dela, e que agora já estava fraca.
Mas ele a amava, não?
Agora tudo fazia sentido...
Ela o amava e ele precisava dela, mas que preço ela teria o “amor” dele?
Ela sabia que se permitisse ele sugaria até a ultima gota de vitalidade, ela teria uma semivida.Valeria a pena?
Não, este tipo de amor ela não queria!
Reuniu suas ultimas forças e o afastou dela -por essa ele não esperava - partiu para cima dela.
Desmaiando ela só pode ver o contorno dele envolto em uma forte luz vinda do sul, ele sumira.
Mas nem tudo estava perdido, ele não sugara toda sua vitalidade, em seu corpo ainda havia um pouco de sangue.Sim, certamente ela parecera morta por um bom tempo, mas de certa forma ele lhe fizera um único favor, sugou seu sangue, mas como não compartilhara doe seu próprio, logo ela estaria bem novamente e renovada.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O encontro


Eles estavam frente a frente no meio de todo aquele murmurinho, sorrisos e brindes de tulipas de cerveja, aquele único instante em que as atenções estavam longe dos dois.
Seus olhares se encontraram, suas cores preferidas estavam ali, ela procurou entender o que aquele olhar ocultava.Olhar profundo... Encontrara alguns sonhos, poucas cicatrizes, paixão e muitos escudos.Olhou um pouco mais a fundo, seus olhos antes semicerrados (como se para focalizar algo) agora se expandiram demonstrando um ar surpreso, ela vira nada mais que um espelho...
Ele sentiu algo diferente no peito, seus pulmões se encheram de ar, ele percebera o quão longe ela chegou, assustado deu um passo para trás.Ele deveria estar delirando ou algo assim (racionalizava ele), sempre fora uma incógnita para a grande maioria e ela mal o conhecia!
Alguém esbarrou nela desviando sua atenção e novamente estavam no meio do murmurinho.
E tudo se passou apenas num instante.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O catador de limões


Todos os dias acordava cedo, o sol mal despontara, tomava café e seguia com o pai para o limoal, e com seu cesto de vime colhia os frutos maduros e vistosos.
Certo dia ao lavar as mãos antes do almoço notara que elas estavam ressequidas e até rachadas, ao olhar mais de perto percebeu que as marquinhas (digitais) que tinha nos dedos estavam sumindo...
Ao voltar para o limoal comentou abismado com o pai que lhe disse:
- ahh fio, isso é por causo do azedume dos limão que queima a pele e acaba desfazendo as ondinha dos dedo.
E ele agora preocupado disse:
- Mais pai, num são essas ondinhas que mostram que eu sou eu mesmo?
O pai responde:
- É sim fio, mai nóis vive disso.
Ele(que particularmente gostava de limão) achava o azedinho gostoso, e era o que melhor matava a sede nos dias quentes, mas sua casca grossa sendo altamente ácida, acabaria por apagar sua identidade.
O menino pensou um pouco antes de ir dormir e logo já sabia o que fazer...
Na manhã seguinte apareceu na colheita com dois sacos plásticos envoltos nas mãos, agora ele poderia trabalhar e continuar a ter suas “ondinhas” nos dedos. ;)

quarta-feira, 26 de março de 2008

O violão




Ela estava a observá-lo da sua cama, ali num dos quatro cantos de seu quarto. Já não tinha mais tempo para depositar nele, com a correria da faculdade, trabalho e namoro mal sobrava tempo para si mesma.Ele por sua vez, também retribuía o olhar, relembrando saudoso da época em que ela o dedilhava suavemente naquelas tardes em que o sol brilha e a brisa acaricia...Tardes onde somente os dois trocavam confidencias através de notas musicais, quando ela ainda tinha tempo para dedicar-se a estes prazeres.
Mas agora o que lhe resta é somente um canto esquecido e sua capa empoeirada.

sexta-feira, 14 de março de 2008

Natal


Era noite de natal, as multi cores do pisca - pisca dançavam ritmadamente entre os galhos do enfeitado pinheiro natalino.
A ceia posta à mesa e o relógio acabaram de anunciar que chegara a meia noite.Isso significava duas coisas; primeiro mistério sobre os presentes seria desvendado.E segundo fatias suculentas de peru logo estariam em seu prato.Os familiares começaram a troca de presentes, cada um recebera o seu, o dela estava num embrulho dourado (Ohh!Era um livro!),na capa uma árvore sobrepondo o entardecer, ela o abriu, na contra – capa a dedicatória da família, algo como: “Viva sua vida plenamente!” e logo abaixo uma frase de Sócrates que dizia “Quando penso que já encontrei as respostas para tudo, a vida vem e muda as perguntas”.
A cada dia ela lia mais um pouco, caminhando pelas páginas num chão de letras e a cada caminhada ela lembrava um pouco mais de alguém que havia esquecido a alguma tempo(sem saber o por que do abandono)...
Ela mesma.
E daquela noite em Diante o dia de natal celebrava não só um nascimento, como um renascimento.