sábado, 19 de abril de 2008

Preço do "amor" eterno

Eles se conheceram na noite, ela uma terna dama dona de olhar como um par de esmeraldas e rubros lábios.Ele um cavalheiro, educado, cortes e misterioso de pele tão clara que pareia quase pálido, cabelos longos e negros como a noite.Ele disse que não sobreviveria sem ela e prometeu – lhe a eternidade, ela inocente aceitou a “eterna” companhia dele.Um beijo selou o pacto, estava tão apaixonada e em êxtase que não sentia a respiração dele, só seu rosto deslizando.Lábios, pescoço, ela sentiu uma leve dor, arrepios e prazer.
Suas pálpebras se abriram lentamente e tudo parecia estar preto e branco, se sentia lânguida, prestes a desmaiar.Então percebeu - como num estalo - que aqueles lábios eram gélidos e só havia uma pulsação, a dela, e que agora já estava fraca.
Mas ele a amava, não?
Agora tudo fazia sentido...
Ela o amava e ele precisava dela, mas que preço ela teria o “amor” dele?
Ela sabia que se permitisse ele sugaria até a ultima gota de vitalidade, ela teria uma semivida.Valeria a pena?
Não, este tipo de amor ela não queria!
Reuniu suas ultimas forças e o afastou dela -por essa ele não esperava - partiu para cima dela.
Desmaiando ela só pode ver o contorno dele envolto em uma forte luz vinda do sul, ele sumira.
Mas nem tudo estava perdido, ele não sugara toda sua vitalidade, em seu corpo ainda havia um pouco de sangue.Sim, certamente ela parecera morta por um bom tempo, mas de certa forma ele lhe fizera um único favor, sugou seu sangue, mas como não compartilhara doe seu próprio, logo ela estaria bem novamente e renovada.

sexta-feira, 11 de abril de 2008

O encontro


Eles estavam frente a frente no meio de todo aquele murmurinho, sorrisos e brindes de tulipas de cerveja, aquele único instante em que as atenções estavam longe dos dois.
Seus olhares se encontraram, suas cores preferidas estavam ali, ela procurou entender o que aquele olhar ocultava.Olhar profundo... Encontrara alguns sonhos, poucas cicatrizes, paixão e muitos escudos.Olhou um pouco mais a fundo, seus olhos antes semicerrados (como se para focalizar algo) agora se expandiram demonstrando um ar surpreso, ela vira nada mais que um espelho...
Ele sentiu algo diferente no peito, seus pulmões se encheram de ar, ele percebera o quão longe ela chegou, assustado deu um passo para trás.Ele deveria estar delirando ou algo assim (racionalizava ele), sempre fora uma incógnita para a grande maioria e ela mal o conhecia!
Alguém esbarrou nela desviando sua atenção e novamente estavam no meio do murmurinho.
E tudo se passou apenas num instante.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

O catador de limões


Todos os dias acordava cedo, o sol mal despontara, tomava café e seguia com o pai para o limoal, e com seu cesto de vime colhia os frutos maduros e vistosos.
Certo dia ao lavar as mãos antes do almoço notara que elas estavam ressequidas e até rachadas, ao olhar mais de perto percebeu que as marquinhas (digitais) que tinha nos dedos estavam sumindo...
Ao voltar para o limoal comentou abismado com o pai que lhe disse:
- ahh fio, isso é por causo do azedume dos limão que queima a pele e acaba desfazendo as ondinha dos dedo.
E ele agora preocupado disse:
- Mais pai, num são essas ondinhas que mostram que eu sou eu mesmo?
O pai responde:
- É sim fio, mai nóis vive disso.
Ele(que particularmente gostava de limão) achava o azedinho gostoso, e era o que melhor matava a sede nos dias quentes, mas sua casca grossa sendo altamente ácida, acabaria por apagar sua identidade.
O menino pensou um pouco antes de ir dormir e logo já sabia o que fazer...
Na manhã seguinte apareceu na colheita com dois sacos plásticos envoltos nas mãos, agora ele poderia trabalhar e continuar a ter suas “ondinhas” nos dedos. ;)