sábado, 19 de abril de 2008

Preço do "amor" eterno

Eles se conheceram na noite, ela uma terna dama dona de olhar como um par de esmeraldas e rubros lábios.Ele um cavalheiro, educado, cortes e misterioso de pele tão clara que pareia quase pálido, cabelos longos e negros como a noite.Ele disse que não sobreviveria sem ela e prometeu – lhe a eternidade, ela inocente aceitou a “eterna” companhia dele.Um beijo selou o pacto, estava tão apaixonada e em êxtase que não sentia a respiração dele, só seu rosto deslizando.Lábios, pescoço, ela sentiu uma leve dor, arrepios e prazer.
Suas pálpebras se abriram lentamente e tudo parecia estar preto e branco, se sentia lânguida, prestes a desmaiar.Então percebeu - como num estalo - que aqueles lábios eram gélidos e só havia uma pulsação, a dela, e que agora já estava fraca.
Mas ele a amava, não?
Agora tudo fazia sentido...
Ela o amava e ele precisava dela, mas que preço ela teria o “amor” dele?
Ela sabia que se permitisse ele sugaria até a ultima gota de vitalidade, ela teria uma semivida.Valeria a pena?
Não, este tipo de amor ela não queria!
Reuniu suas ultimas forças e o afastou dela -por essa ele não esperava - partiu para cima dela.
Desmaiando ela só pode ver o contorno dele envolto em uma forte luz vinda do sul, ele sumira.
Mas nem tudo estava perdido, ele não sugara toda sua vitalidade, em seu corpo ainda havia um pouco de sangue.Sim, certamente ela parecera morta por um bom tempo, mas de certa forma ele lhe fizera um único favor, sugou seu sangue, mas como não compartilhara doe seu próprio, logo ela estaria bem novamente e renovada.

3 comentários:

Yuri de Avila disse...

Não sei até onde minha percepção sobre o texto esta certa mas esta muito bom, traçando uma fina linha entre o amor e o eterno dando lugar ao conto vampiresco. Muito bom mesmo.

Guilherme disse...

Muito bom o lance da comparação do amor e o vampirismo.
Na minha percepção, um conto de amor entre duas pessoas. Uma delas reprimindo a outra, fazendo com que essa perca sua "essência".
A semivida citada no texto uma forma de submissão à seu senhor, e no final, a negação à essa maneira de amor.

Joyce Dark Angel disse...

Nos segundos em que li seu texto fui remetida ao romance de Bran Stoker, que no entato a donzela aceita ser sugada e perde toda a sua vitalidade apenas para seguir seu amor eterno. A dama descrita no entato recusa o amor que sugava suas espernaças e que a condenava...